Close

22 Fevereiro, 2021

Incontinência no idoso

incontinência no idoso / entrada casa de banho

“Em Portugal, cerca de 33% das mulheres e 16% dos homens com mais de 40 anos de idade apresentam sintomas de incontinência urinária – ou seja, um em cada 5 portugueses nesta faixa etária sofre deste problema. Enquanto 10% procura a ajuda do médico, os restantes escondem o problema, automedicam-se e isolam-se.” Associação Portuguesa de Urologia, 2018.

A incontinência urinária é um problema de saúde associado à perda involuntária de urina e a incontinência fecal está associada à perda involuntária de gases e/ou fezes sólidas ou líquidas. 

Apesar de ser um problema que também afeta jovens, o risco de desenvolver incontinência aumenta com a idade. Existem diversos fatores de risco tais como a obesidade, hábitos pouco saudáveis como o consumo de tabaco, problemas neurológicos ou outras doenças já existentes. 

Os problemas de manutenção da continência são mais comuns e severos com o envelhecimento, pois a partir dos 65 anos verifica-se que cerca de 15% da população apresenta risco de infeção urinária, aumentando significativamente a partir dos 85 anos, com maior incidência nas mulheres. 

Quando se fala de idosos residentes em lares, e segundo a Associação Portuguesa de Urologia, cerca de 50% das pessoas institucionalizadas apresentam problemas de continência. A fraca mobilidade e determinados medicamentos também podem contribuir para este problema. Por sua vez, as mulheres têm maior probabilidade de desenvolver incontinência, uma vez que a gravidez, o parto e a menopausa são também considerados fatores de risco. 

A incontinência no idoso é uma das principais causas da institucionalização precoce de idosos em lares e importa realçar que, entre 20% a 50% das quedas dadas por idosos ocorrem no trajeto para a casa de banho.

Tipos de incontinência no idoso

A incontinência no idoso pode trazer outras consequências não só a nível da qualidade de vida, mas pode ser relacionada com problemas tais como infeções urinárias e úlceras de pressão.

Existem diversos tipos de incontinência, sendo estes os mais comuns entre idosos.

  • Incontinência de esforço: perda de urina que ocorre ao realizar determinados esforços como espirrar, rir, tossir, correr, saltar ou carregar algo pesado, causando o aumento da pressão na bexiga. A incapacidade de evitar a perda de urina por parte dos músculos do aparelho urinário está normalmente associada à gravidez e parto, sendo este o tipo de incontinência mais comum no caso das mulheres. No caso dos homens, a incontinência de esforço pode estar associada a problemas derivados do tratamento de problemas da próstata. 
  • Incontinência de urgência: a contração súbita do músculo da bexiga leva a uma vontade repentina de urinar, o que pode causar perdas de urina, em especial nos momentos em que não é possível ir de imediato a uma casa de banho. Problemas ou doenças relacionadas com a bexiga podem ser um dos principais fatores deste tipo de incontinência, a qual afeta ambos os sexos e tem maior prevalência com o aumento da idade. Também designado por incontinência por imperiosidade ou bexiga hiperativa, este tipo de incontinência bem como o anterior podem estar associados mutuamente, sendo então utilizado o termo incontinência mista. 
  • Incontinência funcional: associada a casos de demência, Alzheimer ou Parkinson e respetiva incapacidade do idoso de controlar o aparelho urinário. 
  • Incontinência fecal: associada à perda involuntária de gases e/ou fezes sólidas ou líquidas, sendo a obstipação, diarreia e irritação da zona anal também sintomas de problemas relacionados com este tipo de incontinência.

Tratamento da incontinência

A incontinência é um tema associado a certos estigmas, pelo que o desconforto em falar do problema pode levar à diminuição da autoestima e a alterações à rotina diária que consequentemente podem prejudicar o indivíduo e causar situações de isolamento e depressão.

Em primeiro lugar, é necessário analisar os sintomas e realizar testes de diagnóstico, de acordo com as recomendações do médico de família ou especialista em urologia. 

O diagnóstico pode ser feito recorrendo à análise da história clínica, através do preenchimento de questionários bem como através de outros exames médicos tais como análises, ecografias, defecografia ou urofluxometria. 

Após a confirmação de diagnóstico e dependendo do tipo de incontinência, existem diferentes opções de tratamento para cada utente. 

Contudo, importa realçar que pode ser necessário experimentar diferentes tratamentos de forma a definir qual a melhor abordagem, tais como:

  • Fisioterapia e exercícios dos músculos pélvicos;
  • Medicação: permite tratar certos sintomas, mas torna-se necessário analisar e conjugar com outros medicamentos que o idoso possa ter de tomar;
  • Produtos de incontinência: existem diversos produtos de uso diário tais como os pensos, fraldas e resguardos, sendo que a sua utilização varia de acordo com a perda ligeira, moderada ou grave de urina. No Ankira, é possível analisar o consumo mensal de artigos de eliminação tais como fraldas para cada utente e registar o respetivo plano de cuidados de higiene diários. A gestão destes artigos de eliminação e o controlo de stock e de despesas é também uma das opções disponibilizadas. 
  • Cirurgias: existem diferentes tipos de cirurgia, tais como a colocação de esfíncteres urinários ou anais artificiais. As cirurgias diferem consoante o utente seja homem ou mulher e são um dos principais tratamentos associados à incontinência de esforço, sendo uma possível cura para cerca de 90% dos casos.
  • Mudança de comportamentos e de hábitos como fumar ou limitar o consumo de cafeína ou de alimentos, como fritos ou gorduras, e adotar hábitos alimentares mais saudáveis são também algumas das recomendações que podem contribuir para o sucesso do tratamento, em particular no caso de incontinência fecal. A ingestão de líquidos também deve ser controlada, de acordo com as indicações do médico.

O aparecimento da incontinência no idoso poderá ter repercussões a vários níveis, em várias AVD e até no próprio autocuidado. Também o ambiente é importante, como por exemplo a acessibilidade à casa de banho, a funcionalidade da pessoa, a ajuda disponível, a existência ou não de cuidador em caso de necessidade, e até o próprio contacto e estabelecimento de relações sociais. 

O diagnóstico é essencial, integrando o conhecimento dos fatores ambientais, associados aos fatores físicos, psicológicos e sociais, determinantes ao estabelecimento das intervenções a levar a cabo. No caso dos idosos, o confronto com a incontinência urinária associada a outras comorbilidades e em algumas situações também a uma consequente vulnerabilidade acrescida, a avaliação de todas estas condições é primordial, uma vez que as intervenções poderão ter que ser adaptadas, mobilizando vários profissionais da equipa multidisciplinar. 

Para um correto diagnóstico é necessário recolher a seguinte informação:

  • Hora em que ocorrem as micções durante as 24 horas;  
  • Frequência e volume, contendo a hora e volume das micções durante 24 horas;  
  • Diário miccional com a frequência, hora e volume de urina, incluir episódios de incontinência, dispositivos de contenção usados (exemplo: pensos), grau de urgência e quantidade de líquidos ingeridos. 

Este registo permite avaliar a “frequência” através do número de micções diárias e noturnas com o total das mesmas, e ainda o “volume” de líquidos ingeridos e eliminados nos vários períodos do dia. Pode utilizar as funcionalidades do Ankira para auxiliar na recolha e registo desta informação. 

Experimente o Ankira de forma gratuita, durante 15 dias.